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Débora Garofalo transforma a educação pública com inovação e tecnologia sustentável

31.07.2025
Alumni

Finalista do Global Teacher Prize e referência internacional em práticas pedagógicas inovadoras, Débora Garofalo acredita que a educação pode ser uma ferramenta poderosa para reduzir desigualdades. A Alumni RBR é idealizadora da Robótica com Sucata, um projeto que busca transformar materiais recicláveis em ferramentas de aprendizagem, mostrando que, mesmo com poucos recursos, é possível fazer a diferença quando há criatividade e compromisso social. 

Filha de mãe solo, Débora conta que a valorização da educação sempre esteve presente na família. Mesmo sem concluir o ensino médio, sua mãe sempre valorizou a leitura e deixou como legado um ambiente que, apesar de simples, era repleto de estímulos e incentivos para aprender. 

Ainda no ensino fundamental decidiu ser professora, motivada pelo desejo de devolver à escola pública tudo o que recebeu. Formou-se em Letras e Pedagogia, especializou-se em Língua Portuguesa e concluiu o Mestrado em Educação. “A educação é meu compromisso diário. Ela mudou minha vida e quero que mude a vida de outros”, afirma.

Como a sucata virou ferramenta de aprendizagem

A ideia de criar a Robótica com Sucata surgiu quando percebeu que muitos de seus alunos, em situação de vulnerabilidade, não se sentiam motivados a aprender. Inspirada pelos próprios relatos dos estudantes sobre o impacto do lixo em suas comunidades, ela decidiu transformar esse problema em solução: reaproveitar materiais descartados para ensinar conteúdos do currículo escolar e conceitos de tecnologia socioambiental. 

“Queria mostrar aos estudantes que aprender não precisava ser algo distante e inacessível. Com elementos simples, como tampinhas, garrafas PET e motores reaproveitados, seria possível construir soluções, explorar conceitos de física, matemática, ciências e linguagem, além de ressignificar o território em que vivem”, explica. 

O projeto, que completa 10 anos, vai muito além da robótica e promove autonomia, protagonismo e pensamento crítico. Ao longo dessa trajetória, histórias como a de William, um de seus alunos, reforçam o impacto da iniciativa. Ele chegou ao 8º ano sem saber ler nem escrever, mas encontrou na construção de um helicóptero feito com sucata a motivação para aprender. “Ele me pediu ajuda para aprender a ler depois das aulas. Hoje, William é estudante de Física na USP”, lembra Débora, emocionada.

Do prêmio global à formulação de políticas públicas

O reconhecimento internacional, com a inclusão entre as 10 melhores professoras do mundo em 2019, ampliou sua atuação. Débora passou a colaborar com políticas públicas em grandes redes, como a criação do Centro de Inovação da Educação Básica Paulista (CIEBP) e a estruturação pedagógica dos Ginásios Educacionais Tecnológicos no Rio de Janeiro, que hoje somam 200 unidades. 

Débora conta que teve a oportunidade de liderar políticas públicas em algumas das maiores secretarias de educação do país, como a SEDUC-SP, a SME-RJ e a SME-SP, ampliando a construção de políticas educacionais voltadas à inovação, equidade e formação docente. 

Tecnologia como instrumento de justiça social

Para ela, tecnologia é ferramenta de justiça social quando usada com propósito. “Não basta o acesso à internet. É preciso formação, metodologias inovadoras e políticas que democratizam oportunidades”, defende. E os números confirmam a urgência. Segundo a TIC Educação 2023, apenas 39% das escolas públicas têm laboratórios de informática em funcionamento, e 60% dos professores não se sentem preparados para integrar tecnologia às aulas.

Débora segue mobilizando redes, apoiando formações e escrevendo sobre práticas acessíveis e transformadoras. “Projetos como a Robótica com Sucata provam que inovação não depende de altos investimentos, mas de escuta, criatividade e coragem para fazer diferente”, afirma.

Com 82% dos estudantes brasileiros na rede pública, como aponta o Censo Escolar (INEP) de 2023, a educadora acredita que fortalecer a escola é um passo essencial para garantir equidade. “Transformar a escola em um espaço conectado à vida real é urgente. Quando ousamos inovar, mostramos aos estudantes que o futuro começa na sala de aula — com criatividade, coragem e propósito.”

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